Fundado em 1º de setembro de 1910 por um grupo de operários do bairro do Bom Retiro, em São Paulo, o Sport Club Corinthians Paulista nasceu sob a luz de um lampião com uma missão clara: ser o clube dos excluídos da época, num período em que o futebol no Brasil era praticado quase estritamente pela elite. Ao longo de sua trajetória centenária, o "Curingão" acumulou conquistas, quebrou barreiras sociais e reuniu histórias fascinantes que ajudam a entender a paixão do bando de loucos.
1. A inspiração inglesa que deu nome ao clube: O nome do clube é uma homenagem direta ao Corinthian Casuals Football Club, uma lendária equipe amadora da Inglaterra que excursionava pelo Brasil em 1910. Os ingleses encantaram o país com um futebol refinado e, principalmente, com o conceito do "culto ao fair play" (jogo limpo). Impressionados com as exibições da equipe britânica, os fundadores do time paulista decidiram adotar o nome, aportuguesando-o para Corinthians.
2. O mistério das cores originais: Embora o preto e o branco sejam as cores oficiais que definem a alma corinthiana, nem sempre foi assim. O primeiro uniforme do clube, utilizado logo após a fundação, era composto por camisas na cor bege (creme) com detalhes em preto nos punhos e golas, acompanhadas por calções brancos. O motivo da mudança foi puramente prático: o tecido bege, de qualidade simples, desbotava rapidamente a cada lavagem. Para economizar e padronizar o visual, a diretoria decidiu adotar definitivamente o branco no tecido principal.
"Ser corinthiano é ir além do resultado em campo. É carregar uma herança operária que transformou o sofrimento em cântico e a fidelidade à camisa em uma verdadeira religião nas arquibancadas do país."
3. A escolha do Mosqueteiro como mascote: Ao contrário do que muitos pensam, o Mosqueteiro não foi escolhido por acaso. O apelido surgiu na imprensa paulista na década de 1920, após o clube demonstrar uma garra impressionante para conquistar uma vaga no campeonato oficial da liga. Os jornais compararam o espírito de luta e a união dos jogadores ao lema "Um por todos e todos por um", imortalizado na clássica obra de Alexandre Dumas. O símbolo pegou e se tornou a representação oficial da fibra corinthiana.
4. A Democracia Corinthiana: No início da década de 1980, o clube liderou o movimento ideológico mais importante da história do futebol brasileiro. Sob o comando de lideranças como Sócrates, Wladimir e Casagrande, o elenco implementou um sistema autogestionário onde todas as decisões do departamento de futebol — desde contratações, horários de concentração até a escalação de voos — eram tomadas por meio do voto igualitário de todos, do presidente ao roupeiro. O movimento uniu o esporte à luta pela redemocratização do país.
5. A invasão do Maracanã em 1976: Um dos episódios mais impressionantes de fidelidade partidária de uma torcida aconteceu na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1976. Mais de 80 mil torcedores do Corinthians viajaram de São Paulo até o Rio de Janeiro para assistir ao confronto contra o Fluminense. O deslocamento em massa dividiu o Maracanã rigorosamente ao meio e entrou para a história como o maior êxodo humano pacífico em tempos de paz, empurrando o time para a classificação nos pênaltis.